segunda-feira, outubro 08, 2007

Razão de Amar

Razão de Amar

Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão –
Porque não tinha que ser.

Alberto Caeiro


Talvez devêssemos ler novamente o poema. E tirar dele o sentido das suas palavras, é esta a magia das palavras, que juntas, nos tocam o coração e muitas vezes reflectem a nossa vida.

Males de Amor. Quem não os tem? Toda a gente que já viveu, todos nós que ainda estamos vivos. Mas que também sofremos e às vezes não é pouco.
Muitas vezes, sofremos a rejeição e nessas alturas, em que a dor nos toma os dias e as horas, perguntamo-nos: Porquê? Porque não? O que fiz, o que o outro fez, qual a conjuntura, terá sido o timing? O clima? A minha personalidade? O que fiz de mal, onde errei? Fui a vítima, ou pelo contrário o culpado(a)?
Talvez nada disto. Aconteceu assim. Existiu uma única razão de ser: Não tinha que ser. É o destino, o Fado, ou qualquer outro nome ou adjectivo, mas o fim último é o mesmo. Não deu certo. Não foi desta vez.
Não faz mal, ou melhor faz. Dói, mas passa. Sempre passa. Um dia, não sabemos bem quando, ou onde, deixa de doer. Passa a ser uma cicatriz...daquelas que nos lembram a coragem que tivemos em determinada altura da vida. E aí? Nessa altura estamos prontos para um novo amor...um daqueles, esperámos nós ” tinha que ser”. Às vezes são os mais improváveis outras vezes os mais previsíveis. Mas para serem AMORES, têm que ser, têm que ter uma razão de existir.

Infelizmente, também nos cruzamos com os outros. Aqueles que nos enganam, aqueles em que nos deixamos enganar, mesmo que tudo pareça contra, mesmo que padeçam de uma razão de existir. Continuamos a alimentá-los na esperança vã, que durem, que consigam sobreviver, que talvez tenham futuro, mesmo quando a nossa cabeça diz que não e mais tarde o coração também, existe, ainda assim, uma parte de nós, que quer lutar.
Mas, às vezes os maiores vencedores, são os que reconhecem a derrota. Percebemos então que foi em vão. Acabamos sempre por o reconhecer, mais tarde ou mais cedo. Nestas alturas, o que nos ajuda são os outros amores, aqueles grandes, a que chamamos amizade, que são doutro tipo, mas que nos suportam. Nos momentos, em que estamos carregados de pedras, é bom aceitar a ajuda para dividir o seu peso, levá-las para longe, lá longe...onde acabaremos por construir um castelo e encontrar um amor com razão de ser.

Dedicado a alguém muito especial, que para além do castelo, vai receber um dia, um Arco Íris. Muitos beijinhos.

Angie***

1 comentário:

Joaninha disse...

Só tenho a dizer que és muito especial Angie do meu coração...
Um dia vamos ambas construir um castelo e o arco-iris está a um passo de ser nosso=)
Obrigada sempre pela amizade e pela força.
Beijitos Joaninha